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Documentário “Pantanal Negro” redefine olhar sobre o território em pré-estreia internacional

Produção de Thayná Cambará, diretora da Bela Oyá Pantanal, desafia a visão tradicional ao mergulhar nas histórias e na ancestralidade das comunidades afro-brasileiras da região em evento em Fortaleza.

05/05/2026 às 18:37
Por: Redação

Um novo olhar sobre o Pantanal será apresentado através do documentário “Pantanal Negro”, que tem como proposta central mudar a percepção da paisagem para focar nos habitantes e suas histórias. Dirigido artisticamente e com produção executiva de Thayná Cambará, também idealizadora e diretora da Bela Oyá Pantanal, o filme fará sua pré-estreia em um dos mais importantes eventos de turismo da América Latina: a 10ª edição do Salão do Turismo, que ocorrerá em Fortaleza, no Ceará, na quinta-feira, dia 7 de maio.

 

A escolha de um evento focado no mercado para lançar “Pantanal Negro” é um ato deliberado e estratégico. Segundo Thayná Cambará, essa ação tem um caráter político marcante, pois busca introduzir uma narrativa que contrasta com a lógica comercial usual do turismo, enriquecendo a compreensão do território.

 

É ocupar um espaço voltado ao mercado e inserir ali uma narrativa que fala de memória, de ancestralidade e de pertencimento. Não existe destino sem história, não existe experiência sem cultura, e não existe desenvolvimento sem reconhecer quem são os sujeitos daquele território.

 

O filme é uma extensão natural da missão da Bela Oyá Pantanal, reconhecida como a primeira agência de afroturismo do Mato Grosso do Sul. Se a prática do turismo se constrói na interação com o local, a experiência audiovisual proporciona uma permanência e um alcance mais amplos, aprofundando o impacto da mensagem. A diretora explica que a obra não é um projeto isolado, mas sim parte de uma jornada, consolidando-se como uma ferramenta para a educação, a sensibilização e o posicionamento, emergindo das relações estabelecidas com as comunidades ao longo dos anos.

 

A Presença Negra no Pantanal

 

Ao longo de sua narrativa, “Pantanal Negro” destaca uma dimensão historicamente negligenciada do Pantanal: a marcante presença negra, que inclui os povos de terreiro e as comunidades quilombolas, além dos saberes ancestrais que são pilares da vida na região. Thayná Cambará critica a forma como o Pantanal foi, por muito tempo, descrito como um “território vazio, sem gente, sem história”, reforçando que ele é, na verdade, um lugar habitado, vivido e construído por pessoas. A diretora ressalta que o projeto tem uma significativa dimensão pessoal, por representar sua própria reconexão com a espiritualidade e as tradições afro-brasileiras. Ela completa que é impossível ignorar como essa cultura atravessa a comunidade ao discutir pertencimento.

 

O reconhecimento desse movimento é amplificado por um momento de destaque institucional. Thayná Cambará, que foi recentemente agraciada na edição inaugural do Prêmio Rotas Negras, promovido pelo Ministério da Igualdade Racial, interpreta o lançamento do documentário em uma plataforma internacional como parte de um esforço coletivo. Ela enfatiza que o afroturismo vai além de um segmento; é uma estratégia de desenvolvimento territorial que, agora, ganha escala sem desviar de sua essência fundamental: o território, as pessoas e a ancestralidade.

 

Mais do que conferir visibilidade, “Pantanal Negro” busca promover uma profunda reconexão. O filme é um convite ao público para descobrir um Pantanal vibrante que transcende a beleza natural da paisagem, revelando-o como um território afro-pantaneiro, onde a fé, a cultura e o cotidiano se entrelaçam de forma indissociável. A expectativa é que as pessoas compreendam a existência de um Pantanal que, talvez, nunca lhes tenha sido apresentado: um Pantanal negro, ancestral, espiritual e profundamente humano.

 

Cultura e Espiritualidade em Evidência

 

A produção traz à tela manifestações culturais de grande relevância, como o Arraial do Banho de São João de Corumbá, que possui o reconhecimento de Patrimônio Cultural do Brasil, e também evidencia a força das comunidades de terreiro. Desse modo, o documentário se estabelece como uma autêntica experiência de afroturismo, proporcionando uma jornada que transita entre a memória e o presente, a espiritualidade e o território. Thayná conclui que, além de dar visibilidade, o filme é um meio de reconhecer a profundidade com que essa cultura molda, atravessa e constitui a todos.

 

A realização do documentário “Pantanal Negro” foi possível graças ao investimento da Lei Paulo Gustavo (LPG), do Governo Federal, gerenciado pelo Ministério da Cultura (MinC). A execução do projeto foi realizada pelo Governo do Estado, por intermédio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), e recebeu apoio adicional da Pantanal Film Comission.

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